Por Aloísio Andrade

Quando descobri os livros do Kiko me bateu a pior coisa que o ser humano pode sentir: a dúvida. Eu não sabia qual escolher, queria todos. Tudo ali me chamou atenção: os títulos, as capas, as sinopses… Me afundei na dúvida e levei alguns dias até me decidir por qual das histórias eu iria me aventurar primeiro, até que eu optei por GAROTOS DO BECO e me joguei na leitura.

E o porquê da minha escolha? Bem, escolhi porque me deixei levar pela curiosidade a respeito do tema. Gosto de conhecer mundos novos, curiosidade sempre me faz me aventurar por aí…

Então, assim como o personagem Guto foi se iniciando no mundo da pornografia gay aos poucos, eu fui tirando a minha virgindade desse tipo de literatura e entrando nesse universo tão comum e de fácil acesso, mas tão cheio de tabus que poucos têm a oportunidade de saber como é por detrás do véu moralista que a sociedade impõe.

O plano de fundo erótico e sensual do livro é extremamente sedutor ao leitor, mas entrar na alma do protagonista, sentir seus medos e ler os seus pensamentos é onde mora o verdadeiro tesão.

A verossimilhança dos personagens nos faz acreditar que os garotos do beco podem estar próximos de qualquer um de nós. São rapazes sonhadores e cansados da vida, buscando um caminho fácil que,
no decorrer da trama, se mostra não tão fácil assim.

A carência, a necessidade de ter uma pessoa como um troféu (como se fosse possível comprar o amor), a violência, o sexo, o dinheiro e o poder. O mundo cão… Tudo isso impressiona no livro e o autor nos faz sentir ali dentro, próximos aos personagens com todas as suas dores e dúvidas.

Mas há também a amizade, mostrada entre os personagens Guto e Fred, que apesar de tudo que acontece nos faz ter esperança de um final feliz, não só para eles, mas para nós também.

Enfim, GAROTOS DO BECO é uma obra deliciosa e envolvente que comecei a ler aos poucos, mas depois que a leitura fluiu, acabei o livro em uma noite, ficando com aquele gosto de quero mais e, ao mesmo tempo, com aquele sentimento de vazio da história ter chegado ao fim…

Agora, é hora de você conhecer o beco também. Vai lá! Vale a pena!

p.s: Aloísio de Andrade não é apenas um leitor comum. Ele é professor de Literatura, Artes e Espanhol e também escritor. Chegou até mim através do Instagram, provavelmente por seu interesse em literatura com temática LGBT e me enviou esse texto pelo WhatsApp. Seu último livro escrito é um romance juvenil com dois protagonistas gays e se chama O Cinturão de Órion, que pode ser adquirido pelo site da editora Madreperola, AQUI.